O preço de uma peça maquinada é o material, mais a preparação dividida pelo lote, mais o tempo de ciclo vezes o custo hora-máquina, mais subcontratos e inspeção, mais a margem. No nosso exemplo português, um centro de maquinação de 3 eixos custa cerca de 48 € por hora e uma caixa em alumínio fica em 20,40 € por peça em 50 peças e 17,30 € em 200.
O preço de uma peça maquinada é o material, mais a preparação dividida pelo lote, mais o tempo de ciclo multiplicado pelo custo hora-máquina, mais os subcontratos e a inspeção, mais a margem. O número que decide se ganha ou perde dinheiro é o custo hora-máquina: o custo total de uma hora produtiva da máquina e de quem a opera. Em Portugal a parte do trabalho é baixa para a Europa (o custo do trabalho na indústria transformadora foi de 16,5 € por hora em 2025, contra 35,0 € na UE [1]; no conjunto da economia a média da UE foi de 34,9 € [13]), por isso a máquina, a energia e os custos de estrutura pesam mais. No exemplo da GETMILK, um centro de maquinação de 3 eixos fica em cerca de 48 € por hora, e uma caixa em alumínio em 20,40 € por peça num lote de 50 e 17,30 € num lote de 200.
Factos-chave
- O custo do trabalho na indústria transformadora foi de 16,5 € por hora em Portugal em 2025, contra 17,1 € na Polónia, 28,2 € em Espanha, 49,5 € na Alemanha e 35,0 € na UE [1].
- A entidade empregadora paga 23,75% de contribuições para a Segurança Social sobre a remuneração [2], e há 14 pagamentos por ano [3].
- A retribuição mínima mensal garantida no continente é de 920 € em 2026 [4].
- A eletricidade para um consumidor industrial de 20 a 499 MWh por ano custou 0,171 € por kWh em Portugal no segundo semestre de 2025, sem IVA nem impostos recuperáveis, contra 0,218 € na UE [5]. A DGEG indica para o mesmo escalão 0,134 € antes de todos os impostos e 0,209 € com todos os impostos e taxas incluídos [12].
- As regras fiscais permitem a uma empresa metalomecânica depreciar máquinas de uso específico até 14,28% ao ano [6].
O que entra no preço de uma peça maquinada?
Escreva o preço como uma soma que se possa verificar linha a linha:
Preço unitário = (material + preparação ÷ lote + tempo de ciclo × custo hora-máquina + subcontratos + inspeção e embalagem) × (1 + margem)
O material é o que compra. A preparação é o tempo em que a máquina não corta porque a está a preparar: carregar o programa, montar o dispositivo, referenciar as ferramentas, medir a primeira peça. O tempo de ciclo é o tempo de corte mais a carga e descarga. Os subcontratos são o que envia para fora: anodização, galvanização, tratamento térmico. A inspeção cobre as medições e qualquer relatório que o cliente peça.
Quase todas as respostas que se encontram em português são brasileiras, com vocabulário e custos do Brasil. O método é o mesmo, mas os valores têm de ser portugueses: salários, Segurança Social, eletricidade e regras de depreciação daqui.
Como se calcula o custo hora-máquina?
Some tudo o que a máquina custa num ano e divida pelas horas em que realmente produz. A diretriz alemã VDI 3258 formalizou este método nos anos 1960; entretanto foi retirada [7], mas os manuais de custeio alemães continuam a construir a taxa com as mesmas parcelas: depreciação, juros imputados, espaço, energia e manutenção [8].
- Depreciação. Preço de compra, com a instalação, a dividir pela vida útil. Para efeitos fiscais, o Decreto Regulamentar 25/2009 permite 14,28% ao ano para máquinas de uso específico na metalomecânica, cerca de sete anos [6]; para o preço, use a vida que espera realmente.
- Juros do capital. O dinheiro empatado na máquina, normalmente calculado sobre metade do preço de compra [8].
- Espaço. Área ocupada vezes o custo por metro quadrado, incluindo o corredor à volta da máquina.
- Manutenção. Contratos de assistência, peças, reparação da árvore, como orçamento anual.
- Energia. Potência média consumida a produzir, vezes horas, vezes o preço da eletricidade [5].
- Ferramentas e consumíveis. Ferramentas de corte, fluido de corte, filtros, por hora de corte.
Depois some o operador e os custos de estrutura. O custo horário do operador é a remuneração bruta mensal vezes 14, mais 23,75% de Segurança Social da entidade empregadora [2] [3], a dividir pelas horas efetivamente trabalhadas. Como referência, o INE indica uma remuneração bruta mensal média de 1.640 € na indústria transformadora no segundo trimestre de 2026 [11]. Os custos de estrutura são tudo o que a peça não vê mas paga: escritório, qualidade, programação, comercial, gestão. A maioria das oficinas aplica-os em percentagem.
O divisor pesa tanto como os custos. Horas produtivas não são horas pagas. Com 40 horas semanais, 22 dias úteis de férias e 13 feriados obrigatórios [3], um turno dá cerca de 1.800 horas de trabalho por ano (cálculo nosso); depois de preparações, avarias e tempos mortos, a máquina pode cortar muito menos. Uma taxa calculada sobre 2.000 horas quando a máquina produz 1.200 só recupera 60% dos custos fixos da máquina em cada trabalho.
Como se distribui a preparação pelo lote?
Divida o custo da preparação pelo número de peças boas. Parece trivial, e é onde a maioria dos orçamentos de pequenas séries falha. Uma preparação de duas horas e meia a 48 € por hora custa 120 €. Em 10 peças são 12 € cada; em 1.000 peças são 12 cêntimos. É por isso que os compradores pedem escalões de quantidade e que deve orçamentar sempre pelo menos três quantidades. A programação e os dispositivos também são custos únicos: apresente-os numa linha à parte, ou distribua-os só pela primeira encomenda, nunca em silêncio por um volume que o cliente não assumiu.
Exemplo da GETMILK: quanto custa uma hora de máquina?
Este é um exemplo nosso, construído da mesma forma que montamos a folha de taxas de um cliente de automatização de cotações e orçamentos. Os valores são pressupostos da GETMILK para uma oficina portuguesa típica, exceto onde se cita uma fonte. Substitua-os pelos seus.
- Máquina: centro de maquinação vertical de 3 eixos, 90.000 € instalado, com opções e ferramentas. Como referência, a Haas indica para a Europa um VF-2 desde 61.995 €, sem transporte, instalação nem acessórios [9]. Vida de 8 anos: 11.250 € por ano.
- Juros: 5% sobre metade do preço, 2.250 € por ano. Espaço: 20 m² a 5 € por m² e mês, 1.200 € por ano. Manutenção: 3% do preço, 2.700 € por ano.
- Horas produtivas: 1.200 por ano, um turno.
- Custo fixo da máquina: 17.400 € ÷ 1.200 h = 14,50 € por hora.
- Energia: 10 kW em média (a árvore do VF-2 tem 22,4 kW de pico [9]) a 0,17 € por kWh, o valor do Eurostat e da DGEG para um consumidor de 20 a 500 MWh sem IVA [5] [12] = 1,70 € por hora.
- Ferramentas e consumíveis: 3,00 € por hora.
- Operador: 18,00 € por hora com todos os encargos, acima da média de 16,5 € da indústria [1], porque operar CNC é trabalho qualificado.
- Custos de estrutura: 30% sobre máquina e operador.
- Custo hora-máquina: (14,50 € + 1,70 € + 3,00 € + 18,00 €) × 1,30 = 48,36 €, arredondado para 48 €.
A peça: uma caixa em alumínio EN AW-6082-T6, anodizada. Preparação de 2,5 horas ao custo da máquina (120 €) mais 1,5 horas de programação CAM a 40 € (60 €): 180 € de custos únicos. Tempo de ciclo de 9 minutos. Material: um bloco de 0,6 kg a 7 € por kg mais 10% de corte e manuseamento. O varão custa bem mais do que o metal: o preço oficial do alumínio na LME era de 3.254 dólares por tonelada a 25 de setembro de 2026 [10], cerca de 2,85 € por quilo, antes de liga, extrusão e distribuição. Anodização subcontratada a 1,50 € por peça. Inspeção e embalagem 0,80 €. Margem de 15% sobre o custo.
| Rubrica, por peça | 50 peças | 200 peças |
|---|---|---|
| Preparação e programação (180 € ÷ lote) | 3,60 € | 0,90 € |
| Maquinação (0,15 h × 48 €) | 7,20 € | 7,20 € |
| Material (0,6 kg × 7 € + 10%) | 4,62 € | 4,62 € |
| Anodização (subcontratada) | 1,50 € | 1,50 € |
| Inspeção e embalagem | 0,80 € | 0,80 € |
| Custo | 17,72 € | 15,02 € |
| Margem de 15% | 2,66 € | 2,25 € |
| Preço unitário | 20,38 €, orçamentado a 20,40 € | 17,27 €, orçamentado a 17,30 € |
Duas coisas saltam à vista. A maquinação é a maior rubrica, por isso um erro no custo hora-máquina contamina todos os orçamentos. E a quantidade muda o preço mais do que qualquer negociação: passar de 50 para 200 peças baixa o preço unitário em cerca de 15% sem tocar na margem.
Que margem deve aplicar?
Não existe uma referência publicada e fiável de margens das oficinas de maquinação em Portugal, e não vamos inventar uma. Defina a margem pelo risco e não pelo hábito: mais alta para clientes novos, tolerâncias apertadas, materiais difíceis e peças únicas; mais baixa para trabalho repetido com programa provado. Acrescente uma cláusula de material quando os metais oscilam e indique a validade do orçamento. Nunca esconda custos em falta dentro da margem: se o desenho pede um relatório de primeiro artigo, orçamente-o numa linha.
Como tornar a orçamentação repetível?
Ponha o cálculo das taxas numa única folha que todos usam, reveja-a todos os anos e sempre que a energia ou os salários mudam, e registe cada orçamento com o resultado: ganho, perdido e porquê. Ao fim de alguns meses, esse registo diz-lhe onde está caro e onde deixa dinheiro na mesa.
Essa folha é também o que torna a automatização possível: um agente de orçamentação só consegue preparar um preço a partir de regras escritas. Para os passos antes do preço, veja como responder a um pedido de cotação em 24 horas.
Comprar software de orçamentação ou construir um agente sobre a folha depende do que chega à sua caixa de correio; comparamos as duas opções em software de orçamentação ou agente de IA.
O que fazer a seguir
- Refaça o seu custo hora-máquina este mês. Ponha os seus próprios valores nas seis rubricas de custo acima, divida pelas horas que a máquina produziu de facto no ano passado e compare o resultado com a taxa que usa hoje nos orçamentos. Qualquer diferença repete-se em cada orçamento que envia.
- Comece um registo de orçamentos. Durante os próximos três meses, registe cada orçamento, o preço, as quantidades e o resultado. Não custa nada e são os dados de que qualquer automatização futura precisa.
- Se a orçamentação continua à espera de um único orçamentista, a automatização de cotações e orçamentos da GETMILK lê o desenho, confronta-o com as suas capacidades e prepara o preço a partir da sua própria folha de taxas, para o orçamentista aprovar: implementação desde 4.900 € e 290 € por mês por fábrica, sem IVA, com preço fixo por escrito. Se orçamenta poucas dezenas de peças por mês, uma folha de cálculo bem mantida chega e não precisa de nós.
Referências
- Eurostat. Labour cost levels by NACE Rev. 2 activity (lc_lci_lev), manufacturing, 2023 to 2025 (updated 23 April 2026)
- Diário da República. Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança Social (Lei n.º 110/2009), artigo 53.º (consolidated version, accessed 27 September 2026)
- Diário da República. Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), artigos 203.º, 234.º, 238.º, 263.º e 264.º (consolidated version, accessed 27 September 2026)
- Diário da República. Decreto-Lei n.º 139/2025, retribuição mínima mensal garantida para 2026 (29 December 2025)
- Eurostat. Electricity prices for non-household consumers, bi-annual data (nrg_pc_205), excluding VAT and other recoverable taxes (updated 24 September 2026)
- Diário da República. Decreto Regulamentar n.º 25/2009, Tabela I, grupo 11 (indústrias metalúrgicas e metalomecânicas), código 1060 (14 September 2009)
- DIN Media / VDI. VDI 3258 Blatt 1: Kostenrechnung mit Maschinenstundensätzen (withdrawn) (October 1962)
- Haufe (Walter Schanz). Maschinenstundensatzrechnung: Kostenermittlung (accessed 27 September 2026)
- Haas Automation. VF-2 vertical machining centre (accessed 27 September 2026)
- London Metal Exchange. LME Aluminium: official prices (25 September 2026)
- INE. Remuneração bruta mensal média por trabalhador, 2.º trimestre de 2026 (14 August 2026)
- DGEG, Direção-Geral de Energia e Geologia. Preços de eletricidade na indústria, em Portugal e na União Europeia (DGEG PEI 1985–2025 S2) (updated 13 April 2026)
- Eurostat. EU hourly labour costs ranged from €12 to €57 in 2025 (31 March 2026)
Perguntas frequentes
- Como calcular o custo hora-máquina de uma máquina CNC?
- Some a depreciação anual da máquina, os juros do capital, o espaço, a manutenção, a energia e as ferramentas, divida pelas horas em que realmente produz e acrescente o custo horário do operador e a percentagem de custos de estrutura. No nosso exemplo para uma oficina portuguesa, um centro de maquinação de 3 eixos fica em cerca de 48 € por hora.
- Como calcular o preço de uma peça maquinada?
- Some o material, a preparação dividida pelo lote, o tempo de ciclo multiplicado pelo custo hora-máquina, os subcontratos como a anodização e a inspeção e embalagem, e aplique a margem. Orçamente pelo menos três quantidades e mostre a programação e os dispositivos numa linha à parte.
- Quanto custa maquinar uma peça em Portugal?
- Depende do custo hora-máquina, do tempo de ciclo, do material e do lote. No nosso exemplo, uma caixa em alumínio com 9 minutos de ciclo custa 20,40 € por peça num lote de 50 e 17,30 € num lote de 200. O trabalho é a parte barata: 16,5 € por hora na indústria transformadora em 2025, contra 35,0 € na UE (Eurostat).
- Como incluir a preparação no orçamento?
- Divida o custo da preparação e da programação pelo número de peças boas do lote. Uma preparação de 120 € acrescenta 12 € por peça em 10 peças e 12 cêntimos em 1.000. Nunca distribua custos únicos por um volume que o cliente não encomendou.
- Qual a taxa de depreciação de uma máquina CNC em Portugal?
- Para efeitos fiscais, o Decreto Regulamentar 25/2009 fixa 14,28% ao ano para máquinas de uso específico nas indústrias metalúrgicas e metalomecânicas (código 1060 da Tabela I), cerca de sete anos. Para calcular o preço, use a vida útil que espera realmente da máquina.
